Ciao!
"Vim nu à terra e nu irei para debaixo dela. Por que canseiras vãs se o fim é só nudez?" É do grego Paladas.
Diga se não há algo de errado com este estado, esta cidade, afinal de contas, aqui, as pipas são retangulares...
– Defina a Bahia numa só palavra. – Presepada.
"Nenhuma qualidade da juventude, por mais agradável que seja, escapa à ação do tempo." É de André Gide.
Escrever ficção é criar perversões, alheias e pessoais. Ou não é literatura.
OS VESTÍGIOS PERDIDOS DA SENHORITA B
Não há utilidade em se pensar muito. Não continuaremos, nem o mundo.
Prefiro ler a escrever. E só escrevo para fixar melhor o que li. Um dia, talvez, nem isso. Se deixar de escrever, forçosamente deixarei de fixar o que leio. E que assim seja, pois para quem deveria reter o que li? Para mim? Ora, neste caso, é desnecessário, pois cedo ou tarde deixarei de existir e o que li morrerá comigo... Portanto, um princípio vicioso se impõe, de duas formas: 1) escrevo para fixar o que leio, e só o fixo porque escrevo; 2) sem escrever, não o fixarei mais; sem o fixar, não poderei mais escrever. Será talvez a felicidade: ler por ler.
Soube recentemente que M. A., contista, adora um livro que também adoro. Fiquei surpreso. Não por ele adorar o livro, mas por conseguir lê-lo...
"A vida é bem outra do que se imagina em criança." É de Antônio Olavo Pereira.
"A única maneira de se livrar da tentação é ceder a ela... eu resisto a tudo, menos à tentação." Esta citação, muitas vezes atribuída a Nelson Rodrigues, é originalmente de Oscar Wilde.
"Tenho conhecido alguns comunistas inteligentes..." É de Eric Ambler, através de seu personagem Latimer, em A máscara de Dimitríos.
"O escritor decanta ou engravida a realidade de que se apossa com amor ou com raiva." É do português Alves Redol.
"A criança é pequena e encerra o homem; o cérebro é estreito e abriga o pensamento; o olho é apenas um ponto e abarca léguas." É de Alexandre Dumas Fils.
Duas asneiras ditas por M. A., contista: 1) sou um profissional da diversão; 2) não, a literatura não transforma ninguém, isso é mito. Pois bem, pondo os pingos nos is, diríamos que a verdadeira literatura não é diversão, porque não distrai: concentra; e se não transformasse ninguém, ele próprio, M. A., não seria escritor. Nosso autor se esquece – se é que soube disso algum dia – de que literatura, como toda e qualquer arte, reúne prazer e conhecimento, forças transformadoras por excelência. Nesse sentido, é como sexo. A primeira leitura de José, de Drummond, é como o dia seguinte de uma noite de amor. A de São Bernardo, de Graciliano Ramos, ou de Dom Casmurro, de Machado de Assis, representa uma lua-de-mel inteira. Ao lado de alguém que compense, é claro. Já a leitura de Guerra e paz, de Tolstói, bem, engloba muitas noites, muitas luas, ano após ano, até a impotência. Ou o fim.
Ora, viver é melhor do que escrever. Mas viva sem escrever quem é escritor!
Vi o escritor Domingos Pellegrini na tevê fazendo campanha por mais gentileza entre as pessoas... Ele, que tempos atrás foi ingentil com Machado de Assis, diminuindo-lhe a obra e julgando-a como se o escritor e seu personagem Bentinho fossem a mesma pessoa; também como se o romance Dom Casmurro constituísse não a confissão de Bentinho, mas de Machado de Assis. Com um argumento assim tão rasteiro – que confunde autor com personagem e ficção com realidade –, não é de surpreender a ninguém que Domingos Pellegrini acabasse na tevê, como um boneco da mídia, pedindo gentileza. Vai ter que pedir mais coisa, e rogar muitas outras, se quiser voltar a ser respeitado, ao menos pelos leitores de Machado de Assis.
A vida... que só nos permite unicamente viver...
Na próxima encarnação – se houver, pois acho que não há (a exemplo de Sêneca, acredito que depois da morte não há nada, nem mesmo o vazio) –, quero que meu pai seja um tubo de ensaio, e minha mãe, uma pipeta...